Falando da vida e contando histórias...

17/02/2017

Dia desses li um livro que eu gostaria de ter escrito. Ele tem um olhar delicado e cuidadoso sobre o caminho e a forma feminina de transitarpela existência, mas totalmente isento de vitimização. Exatamente como eu penso que deve ser o olhar de quem examina o contexto da mulher no mundo. Somos hoje o resultado de muitas e muitas histórias e lutas rebeldes, cheias de tons e de sons ao longo dos tempos. Outras travadas com silêncio e resiliência. Não se luta só com bandeiras, gritos, quadros, música, poesia... armas. Às vezes é no silêncio e na resistência. Quando penso o quanto vivi, quantas pessoas direta ou indiretamente foram impactadas por minhas atitudes e feitos, desfeitos também, desejo enormemente ter acertado mais do que errado. Boas intenções não são suficientes, nem justificam nossos malfeitos. A gente precisa lutar pra ser melhor todos os dias.

 

Semanas atrás recebi a ligação de um antigo chefe chamado Félix... ele nem imagina o quanto me deixou feliz por telefonar só pra saber como eu estava. Não nos vemos sei lá.... há 15 anos talvez... por aí. Quando me lembro dele costumo pensar que nós combinávamos igual banana e canela, e não consigo evitar o sorriso. Foi um tempo feliz da minha vida profissional... nunca competimos e tínhamos um afinado senso de cooperação, parceria, camaradagem... Sempre funcionamos na relação ganha-ganha. Ele gostava de fazer o que eu detestava: comprar e cobrar de fornecedores o dia todo. Eu ficava solta para produzir minhas "obras de arte". Sim eu sempre achei que minhas obras eram como obras de arte rsrs, e tinha um zelo, um cuidado... cada detalhe, paginação de pastilhas inteiras, haha minhas fachadas não podiam ter fechos... quem dá valor a isso??? Pois eu dava. Pressão do custo, do prazo... isso sempre foi e será rotina, não minha, mas de todos que trabalham com a produção de qualquer coisa, então nunca me senti vítima ou prejudicada. Eu estava ali exatamente por isso, e para isso: resolver. Um médico de pronto-socorro recebe fraturados, baleados, atropelados... enfim ele está ali pra isso. O nosso grande desafio é não endurecer!! Porque a gente leva tanta pancada que se bobear endurece, veste armadura, se tranca, se fecha... Uma vez um desses raros amigos que se faz em obra, um espanhol chamado Manuel Nuez, disse pra mim em seu forte sotaque: Damácia não deixa essa vida de obra te endurecer, não perca a ternura... Nós trocávamos indicações de livros, tem um que ele me indicou que eu não esqueço até hoje: "A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen". Haha e eu li. E nunca mais consegui esquecer, como nunca mais consegui esquecer que a mosca do sono é a tsé-tsé, perdi um concurso porque errei essa questão faz quase quarenta anos. Levei uma multa enorme do Departamento de Meio Ambiente porque cortei umas plantas, que pra mim pareciam um matinho, mas eram hibiscus pernambucensis!! Imagina, eu que adoro plantas... fiquei traumatizada. O que faz a ignorância!

 

Determinadas coisas ficam, e algumas pessoas nos marcam. Tenho, uma imensa lista dessas pessoas em meu coração. Sim, porque só guardo as coisas boas, e não esqueço as pessoas que me fizeram bem, me ensinaram, montaram o quebra cabeça da minha história, que graças a Deus parece o puzzle de 5 mil peças do meu filho, que ele nunca terminou de montar por sinal. As coisas ruins fizeram o que tinham que fazer, passaram a lição, sofri e deixei pra trás. Tenho o desejo cada vez maior de escrever um livro, pra compartilhar tantas lembranças. Tenho muitas memórias... Sempre gostei de compartilhar, nunca fui econômica. Muitas vezes certamente até me excedi, na ânsia de extrair o melhor de alguém e de mim... mas sempre preferi o risco de errar pelo excesso do que pela falta. Deve ser o meu desejo genuíno de fazer a diferença, onde quer que eu me meta. E adoro passar adiante o que eu sei, guardar pra morrer comigo pra quê? Eu recebi tanto de tantos... Conheci um professor de geometria que fez toda diferença e mudou totalmente o rumo da minha vida. Se tornou meu companheiro de jornada. Imaginem a forma mais especial de aprender o teorema de Pitágoras, de Euler... e desvendar o que está além dos graus, minutos e segundos de um ângulo... ser o seu complemento...  pra mim foi o caminho das estrelas. E não pensem que a trajetória foi só uma reta. Nem pensar. Foi tortuoso, intenso e calmo muitas vezes, até aqui, porque não terminou ainda. Cada dia com sua surpresa.

 

Desenvolvemos ao longo da vida muitas habilidades relacionais, hoje mais conhecidas como competências emocionais, e podemos utilizar essas competências pra praticar o jogo do ganha-ganha nas nossas relações pessoais e profissionais. E como a proficiência depende diretamente da regularidade da prática, o lema é exercitar, exercitar, exercitar... Assim segue o fluxo... ajustamos, flexibilizamos, cedemos, ganhamos, negociamos, não desistimos... vivemos!

 

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