O que as gerações Y e Z podem aprender com a geração X?

27/04/2017

Qual elemento ou componente de uma organização é o mais valioso? Existe uma infinidade de respostas para essa indagação, a mais consensual é o capital humano. E as pessoas, têm consciência da sua importância para a empresa?

Fomos educados, salvo exceções é claro, para achar que estudar é chato e trabalhar um sacrifício do qual ninguém escapa. Sem perceber perpetuamos essas ideias, transferindo esses sentimentos para nossas crianças. Lembro-­me de uma frase repetida por meus pais, quando eu queria brincar antes de fazer o "dever" da escola: "primeiro o dever, depois o prazer!". Repetimos para nossos filhos, sem nos darmos conta da dimensão, frases de efeito como "não há ganho ou vitória sem dor", lembrando a famosa "no pain, no gain", fruto da introjeção típica das gerações baby boom e X. Associamos desde cedo na cabecinha dos nossos pequenos que estudar "é doloroso". Crescemos e desenvolvemos pavor pelas segundas feiras. Assim começam nossos problemas, porque o ser humano está sempre à procura de meios para aumentar sua permanência na "zona de prazer e conforto". Mas e se via de regra estudar e trabalhar não representam prazer, muito menos conforto... O que fazer então? Proponho uma reflexão. É necessário você fazer pra você mesmo algumas perguntas muito sérias, e reunir muita franqueza, caso contrário não chegará a lugar nenhum. Vamos a elas:

 

Eu escolhi minha profissão e estou feliz com ela?
Eu gosto do que eu faço ainda hoje?
Estou no lugar certo, sinto-­me feliz, gosto da empresa onde trabalho?

 

Se a maioria das suas respostas foi sim, ótimo, você pertence a um seleto grupo nas estatísticas, que não tem problema algum com as segundas feiras, seu trabalho lhe proporciona prazer e você sente satisfação em prestar sua contribuição à sociedade. Pode até estar insatisfeito com um ou outro aspecto do seu emprego, mas nada que o impeça de sonhar e lutar pelo que acha certo e justo.

Se a maioria das suas respostas for não, cabe a você uma reflexão mais cuidadosa. Se você não escolheu sua profissão e não se sente feliz com o que faz, ou se a escolheu e agora gostaria de fazer outra coisa.... Ou se a remuneração está aquém da sua expectativa, ou das suas necessidades.... Se trabalha com alguma atividade sem afinidade com o que você estudou, mas ainda assim se sente pleno e satisfeito com o que faz hoje.... Ou ainda, se você gosta do que faz mas não está feliz com a empresa onde trabalha, será que há algo que se possa fazer na própria empresa pra mudar isso?

 

São muitas possibilidades e encarar a verdade dos seus questionamentos exige coragem e determinação. Muitas pessoas vivem uma rotina de procrastinação, enganam a si próprias e não acreditam no seu potencial de pessoas felizes. Colocam no outro ou na empresa a responsabilidade e a culpa de tudo que está em desacordo. Esquecem de olhar no espelho, abrem mão de estar no comando de suas vidas e de seu destino. Numa espiral de negação vão repetir pra si mesmas que nada puderam fazer, que as contas não param de chegar, que suas responsabilidades de provedores estão acima de qualquer aspiração. O que equivale a desistir de você... Se você não se sente feliz no trabalho deve examinar as suas respostas. Estabeleça metas pra você mesmo. Agora você deve estar pensando: mais metas? E se eu disser que estabelecer metas pode ser poderoso, divertido e desafiador como um jogo interior. Que a cada meta batida, é indescritível o prazer e a satisfação que se sente.

 

Que suas metas funcionam como um compromisso que você tem com você mesmo, com seus ideais de vida. Pode ser que o problema realmente não seja você. Talvez a solução seja mudar de emprego, procurar o ambiente e cultura empresarial que combine com seus valores, que utilize todo o seu potencial criativo e sua capacitação, uma atividade que faça você se sentir feliz e representativo. Você feliz e mais produtivo, pode se tornar de grande valor e interesse para sua organização.

 

E o que as crianças e jovens precisam para serem felizes, o que elas precisam para se tornarem adultos felizes? São questões que você responsável, deve se fazer continuamente. Enxergamos com clareza as necessidades inerentes à formação cognitiva de nossas crianças? Você está permitindo que seu filho vivencie plenamente seu tempo de ser criança? De ser livre, de brincar, de errar, de se sujar, de falar bobagens, de rir, até de eventualmente tirar notas ruins na escola...? Cabe aos adultos mostrar como é incrível a matemática, a física que está a sua volta. Ler livros de histórias antes de dormir. Desenvolver o lado lúdico tornando memoráveis esses momentos do relacionamento afetivo. Dar chance à criança de se tornar um adulto criativo e concentrado, pronto para se posicionar frente as duras escolhas que a vida impõe.

 

Fechando essa nossa reflexão relembro palavras do filósofo Kipling. Segundo ele as pessoas que terão mais sucesso em nossa era são descritas como "aquelas que conseguem manter a cabeça enquanto todos os outros a estão perdendo". Eu complemento afirmando que para manter a cabeça, o profissional precisa se sentir pleno e feliz. As gerações Y, Z e outras que vierem, sempre terão a oportunidade de aprenderem com os erros e acertos das gerações anteriores. O capital humano será sempre o bem mais precioso de uma organização, e ao mesmo tempo a origem e a solução dos seus problemas.

 

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