A importância do capitão

04/05/2017

 

Pesquisa do Google publicada recentemente no jornal Le Figaro, com a finalidade de avaliar a satisfação dos franceses no ambiente empresarial, o item de maior insatisfação estava relacionado aos "chefes". Eles amam o local e os amigos de trabalho, amam a socialização, mas estavam infelizes com seus chefes... Essa situação parece familiar? Claro que sim. Vivemos as mesmas dificuldades e podemos encarar esses dados, como uma evidência de que não se tem tratado com relevância as competências sócio­-emocionais na seleção dos gestores.

 

Em qualquer ambiente, grupo, instituição, ocasião ou situação onde se reúnem pessoas, percebemos a presença de líderes. Eles fazem parte da nossa sociedade, e muitas vezes não ocupam um posto de chefia no trabalho. O porquê desse fato se deve a inúmeras razões, e uma delas certamente é a insuficiência de conhecimento específico. Mas então, se conhecimento específico é indispensável, quais competências sócio­-emocionais "indispensáveis" um chefe deve apresentar?

 

A sociedade como um todo caminha no sentido onde o bem estar do indivíduo, o propósito dos projetos, o alinhamento de expectativas e valores entre empresa e colaboradores, estarão numa mesma bandeja. Vamos cada vez mais na direção do menos é mais. Esse conceito aplicado ao ambiente organizacional representa qualidade de tempo investido em vez da quantidade de tempo dedicado, e será o diferencial das empresas para atrair e manter talentos. De acordo com o mestre em gestão Vicente Falcone, "o turnover de pessoal equivale a um vazamento de conhecimento da empresa". Percebe-­se que a geração que entra agora no mercado, não quer só ganhar dinheiro, quer realização. Estão dispostos a pagar o preço do stress por um período de tempo, mas não se imaginam escravos no médio e longo prazos. Outra matéria, agora da Uol Economia, se refere aos "gestores". Ela apresenta o que o site Fortune.com, elencou como "os 5 sinais de que uma pessoa está pronta para assumir um cargo de gestão". São eles:

  1. Você quer mais responsabilidade, não mais crédito

  2. Você é capaz de incentivar sua equipe e atingir bons resultados

  3. Você é um estrategista

  4. Sua opinião é valiosa

  5. Você é confiável até em um momento de crise

Percebe­-se o caráter cognitivo das competências relacionadas. Ainda segundo a matéria "estar pronto para liderar uma equipe e assumir um cargo de alta gestão exige comprometimento e esforço". No lugar de esforço, prefiro determinação e disciplina. Independente da hierarquia do cargo o verdadeiro líder não se sente infeliz com a responsabilidade, ao contrário, ele sente uma profunda satisfação e alegria de se ver autor, o piloto do projeto. Sua energia pulsa exatamente por essa razão, e diante de um desafio não derrama excessos de cortisol no seu corpo, os desafios o alimentam e são motivo de prazer.

 

Assim funciona o ciclo virtuoso do líder. Ele pensa e dá foco no resultado e não no problema. Verifica se as metas são desafiadoras e exequíveis, o dimensionamento da equipe e dos recursos, o treinamento. Fornece feed backs positivos ou a chamada "validação" perante o grupo todo. Reforça a auto estima dos integrantes do time, o que reflete e melhora o resultado. Pratica o brainstorming de soluções e não permite que se desperdice tempo e energia com "o problema", muito menos em descobrir "culpados". Envolver pessoas em torno da solução, reforça o espírito de equipe e a identidade do time. O brainstorming deve ser realizado de forma lúdica, livre, totalmente sem filtros.

 

Os colaboradores precisam se sentir num mundo de possibilidades, assim liberam o lado direito do cérebro para imaginar, criar e sentir soluções. O líder pode e deve perceber durante as dinâmicas de grupo ou mesmo nas apresentações de resultados, as diferentes características dos integrantes e utilizá-­las de forma criativa e positiva em favor do coletivo. Deve estimular o debate dentro do grupo e a adoção de métricas de controle para a execução do plano de ação e dos resultados. Quem não mede não controla (Vicente Falcone)! Outra característica do líder eficaz é incentivar, permitir e participar das comemorações do time. Os momentos bons e de vitória precisam ser valorizados e celebrados. Por fim a capacidade de comunicar do líder é na verdade o principal entrave nos relacionamentos do ambiente corporativo. Comunicação não é o que você fala, é o que os outros entendem (Anthony Portigliatti)! Ela precisa ser clara, concisa e principalmente inspiradora. Nenhum colaborador deve ter dúvidas sobre o que de fato precisa realizar. Dúvidas geram insegurança, que geram medo, que geram conflitos... e stress desnecessários.

 

A técnica do 5W2H, preenchido em equipe, com a participação de todos, faz parte e complementa a comunicação eficaz. Com o mapa em mãos de quem faz o quê, quando, como, onde e por quanto... todos se sentem tranquilos para "jogar", para ativar suas qualidades e seus recursos individuais e

produzir o que toda empresa quer e precisa: RESULTADO SUSTENTÁVEL .

 

As empresas defendem aplicações de princípios científicos em todas as instâncias da organização, mas bem que poderiam se inspirar no empirismo aplicado há décadas nos esportes coletivos. No caso especificamente do futebol, desporto mais popular no Brasil e no mundo, onde o líder da equipe, seu capitão, raras vezes é o mais qualificado tecnicamente ou o craque do time (Ex: Pelé não foi capitão no Santos nem na seleção) e sim o possuidor de outras competências (sócio­emocionais) que agregam o time na busca de um objetivo: GANHAR O JOGO .

 

Bibliografia:


Le secret de l'efficacité d'une équipe ? La gentillesse: https://goo.gl/piAXND

 

5 sinais de que você está pronto para assumir um cargo de alta gestão -­ Notícias ­UOL Economia

 

Livro ­ Manual de programação neurolinguística PNL ­Joseph O'Connor

 

Livro ­ O verdadeiro poder ­Vicente Falconi

 

 

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