Cem Anos sem Solidão... e sem tédio

29/06/2017

 Com a expectativa de vida chegando aos 100 anos, o ser humano poderá experimentar algumas versões de seu eu profissional ao longo da vida. As transições de carreira estão acontecendo. "Pode até provocar vertigem em algumas pessoas, mas já é uma realidade para outras e será a regra em breve, principalmente para aqueles que nasceram depois da virada do milênio... As mudanças demográficas e o dinamismo do mercado de trabalho forçarão os profissionais qualificados a realizar transições a todo momento ao longo da vida", diz a reportagem da Revista Veja - edição 2532 - 31 de maio de 2017. Esse é também um dos assuntos tratados no livro The 100-Year Life (A Vida de 100 Anos) dos economistas e professores da London Business School, Andrew Scott e Lynda Gratton, citados na mesma reportagem. Os autores elegeram alguns motivos que levariam a essa realidade, destaque para o aumento da longevidade (daí o título do livro). 

 

O aumento da longevidade: presente ou maldição?

 

De acordo com os estudos de Lynda e Scott, uma criança que nasce hoje no ocidente tem mais de 50% de chance de chegar aos 100 anos. Uow! A conclusão é que seria chato demais permanecer no mesmo posto ou na mesma área por décadas. Mas tem também o lado prático, pra não falar matemático, da coisa. Ao fazer as contas do orçamento familiar, o trabalhador percebe que não será possível aposentar-se tão cedo como previra. Muitos cumprem os requisitos pra entrar com o pedido de aposentadoria (tempo de contribuição, idade), mas vão ter que achar uma forma de complementar a receita pra pagar as contas. Esta é uma realidade no mundo, e que já está em pauta aqui no Brasil também. O modelo previdenciário precisará ser revisto, por mais amargo que possa nos parecer essa realidade. 

 

Tem também aquela famosa dúvida: o que vou ser quando crescer ?

 

Vamos começar lembrando que um jovem precisa tomar a decisão de fazer uma escolha por carreira quando ele está no 2o ou 3o ano do Ensino Médio, por volta dos 16, 17 anos. Imagina esse jovem decidir o que vai fazer o resto da sua vida com apenas essa idade? Difícil né... e esse tem sido o dilema, seguido de muita aflição, para muitos jovens e os pais desses jovens. E por que é tão difícil fazer essa escolha? Porque eles não se sentem prontos, eles ainda não se conhecem. Estão cheios, lotados de dúvidas e perguntas e quase nenhuma resposta. E é por não estarem prontos que vários jovens descobrem no meio da faculdade que escolheram o curso errado, ou se desiludem com a carreira que escolheram logo nos primeiros anos de atuação profissional. Fim do mundo? Claro que não... mas a sensação de perda de tempo é inevitável. Prefiro pensar que esse é o menor dos danos colaterais. Creio que o difícil mesmo é administrar o adiamento da autonomia, e a sensação de liberdade está ligada a ela. Pode ser muito opressora essa sensação de não liberdade, mas tudo tem um preço não é verdade? Voltando pra transição de carreira: juntando esses dois fatores mais as pressões de mercado, fica mais fácil compreender essa tendência, e de fato ela já vem acontecendo e não é de hoje.

  •  Não entra nessa de pirar e achar que não sabe o que quer!

Se consideramos que nascemos, crescemos e morremos... concluímos que a maior parte do tempo de nossa existência está comprometida no crescemos. Enquanto crescemos nutrimos e desenvolvemos nosso corpo e nossa mente. E por falar em mente, nosso cérebro é como uma fantástica mala de recursos mágicos. Diz que não é mágico quando consideramos que nossa massa cinzenta teve a capacidade de nos levar a lua... pra citar uma coisinha nem "tão extraordinária". Ok, a sinfonia número 40 de Mozart... ou talvez a invenção do telefone, da lâmpada, da energia atômica... da penicilina. Ah vamos ser mais atuais poxa, o WhatsApp! Nós podemos fazer tanta coisa, e por que então escolher fazer só uma coisa? Desenvolvemos competências ao longo da vida toda. Seria justo dizer que o melhor caminho é descobrir seu traço ou perfil de comportamento e trabalhar a partir daí.

 

Esse seria o ponto de partida. Nem o meio nem o fim. 

De acordo com pesquisa realizada em 2006 pelo Instituto Observatório Universitário, num universo de 3,5 milhões de trabalhadores formados, 53% atuavam em profissões diferentes da sua área de formação. Passados uma década o panorama não mudou. Os principais cursos procurados para formação ainda são os tradicionais (direito, engenharia, medicina, administração e suas sub-áreas), o número de instituições de ensino que oferecem esses cursos proliferou, mas a qualidade dos cursos não acompanhou a demanda. Na hora da seleção os RHs priorizam candidatos das instituições de "1a linha". Outra razão para as transições de carreira é exatamente a lei de mercado: oferta x demanda, lembra ? Por isso também tanta gente trabalhando em área diferente da de sua formação. Faz sentido?

 

Desenvolver as habilidades, amadurecer e por que não mudar...? flexibilizar... somos únicos, então o universo de possibilidades a partir dessa singularidade é infinito. E embora tenhamos a percepção dessa condição e para além da enorme capacidade de combinar talentos internos, nem todo mundo que entende de partitura ou sabe tocar um instrumento vai viver de música, pra citar um exemplo. Isso não quer dizer que tem algum problema ou sofre de anomalia quem escolher uma profissão, e ficar nela até se aposentar. Está mais para dizer que não tem nenhum problema a pessoa trocar, transgredir regras, que já já vão receber outro nome, porque não atenderão ao que hoje chamamos assim. Viva \o/

  • A destruição criativa...

É um conceito em economia popularizado pelo economista austríaco Joseph Schumpeter em seu livro Capitalismo, Socialismo e Democracia (1942). Ele defende que no processo de inovação, que tem lugar numa economia de mercado, novos produtos destroem empresas velhas, e antigos modelos de negócios. Para ele as inovações são a força motriz do crescimento econômico sustentado a longo prazo... fazendo um paralelo ao que acontece com as profissões e carreiras... a inovação tecnológica vem provocando a extinção de inúmeras profissões no intervalo de uma geração, e o surgimento de outras tantas. Nos tornamos obsoletos à velocidade dos bits. Precisamos estar preparados para essas mudanças de cenário, e aceitar que ninguém está condenado a fazer a mesma coisa ao longo da vida. Vai se sentir bem e confortável quem tiver a mente aberta, e se desprender de antigos "dogmas", tipo: como assim abandonar minha profissão? Vai se sentir mais feliz e realizado quem tiver a capacidade de se reinventar, de se metamorfosear.

 

Quantas gerações dos Buendía couberam em Cem Anos de Solidão? Como ficaria o realismo mágico de Gabriel García Márquez aplicado ao cotidiano atual? Porque é certo que viver cem anos e sofrer de "solidão", em vez de presente é maldição!

 

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Edição: João Gonzaga de Oliveira

 

 

 

 

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Edição: João Gonzaga de Oliveira

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