Gestão: um dragão que você precisa domar (parte 1) Estilo de gestão

06/07/2017

 

Falar de gestão é espinhoso, porque é um tema muito amplo, e precisamos ter muito cuidado na abordagem, pra não soar simplista demais. Então estamos inaugurando com esse artigo uma série dedicada a ajudar a clarificar o tanto que envolve esse termo, quer do ponto de vista de quem faz gestão, quer do ponto de vista de quem almeja vir a fazer um dia. Comecemos então com ESTILO DE GESTÃO.

 

Primeiro o significado a que nos referimos. Vamos tratar do estilo = maneira, que vem a ser o caráter, modo, forma, feição, tipo, jeito, natureza, atitude. E podemos subdividir os estilos em muitos, mas vamos qualificar aqui dois grandes grupos: os autoritários e os participativos (Rensis Likert). 

Quando se assume um cargo de gestor numa organização, existe basicamente dois caminhos para se mostrar a quê veio:

 

  • Chega detonando e mudando tudo

  • Chega preparado e disposto a conquistar

 

Qual desses dois estaria no grupo do estilo autoritário, e qual seria o participativo?

Para analisar esses dois perfis, vou tomar minha experiência prática como ponto de partida, pra ficar mais didático e mais crível. Vou falar do primeiro perfil exemplificando os contra dele (até porque não enxergo pros, mas isso é apenas minha opinião pessoal ;)).

 

Primeiro estilo o autoritário - meu nome é ação e cheguei pra detonar...

 

Muitos defendem que quando você não tem tempo, esse é o caminho. As empresas passam por dificuldades as vezes, ou precisam crescer pra não sufocar ou perecer de autofagia, e a verdade é que em matéria de negócios timing é tudo. Na prática o estilo de gestão é também decorrente do perfil do gestor (assunto do próximo artigo). Não se entra numa empresa com o objetivo de fazer amigos e sim fazer ou exercer liderança. Aqui nesse caso o líder "toma" o território 100% focado no resultado. Vai trabalhar com os dados dos relatórios recebidos e montar uma estratégia de ataque aos problemas e remoção de obstáculos. Eu, particularmente nunca gostei de trabalhar com dados já prontos. Prefiro fazer minha própria pesquisa, com minhas métricas, meus pesos e considerações, pra daí montar um diagnóstico. E o por quê desse cuidado? Por duas razões simples. 

 

A primeira: cada organização é única e tem sua própria cultura, e embora você se ache experiente, precisa levar isso em consideração. O que funcionou em uma, não necessariamente vai funcionar na outra, e os relatórios que te entregam estão repletos de conclusões de "alguéns" que não é você. Se ao iniciar seu trabalho na empresa, você ficar preocupado com isso a ponto de precisar voltar ao detalhe do detalhe, melhor fazer o seu próprio. Não dá pra colocar a culpa do seu insucesso no relatório dos outros. Os riscos existem, saiu da cama colocou pezinho no chão começou a balançar o ponteirinho dos riscos. Ao assumir uma empreitada, precisa avaliar o grau deles, inclusive como a possível perda da sua credibilidade e estimada reputação. Costumo repetir que a gente investe bastante trabalho pra conquistar uma boa reputação e basta uma bobeada para perdê-la, e dependendo do grau do infortúnio, recomendo até fazer transição de carreira porque o mercado não perdoa. Tudo tem um preço na vida. Ou você está disposto a pagar ou não. Pra entrar num jogo pra vencer, é preciso estar ciente e de acordo com as regras. 

 

A segunda: o efeito sobre o moral da turma quando se escolhe esse caminho de entrar rachando. Muita tensão no ambiente, todo mundo acha que vai ser demitido... ninguém te fala a verdade porque está tremendo de medo de entrar na sua lista negra e a motivação despenca. A turma começa a dizer o que eles acham que você quer ouvir, e isso é muito arriscado. É preciso ser responsável com a maneira como se afeta a vida das pessoas e se você busca aumento da produtividade, não adianta colocar os colaboradores para fritarem no stress. O medo é contraproducente.

 

Estratégia: se deseja vencer o campeonato, vai precisar de estratégias diferentes para cada adversário. Se preferir outra metáfora, posso citar a arte da guerra! 

 

Segundo estilo o participativo - o delicioso e inconfundível sabor da conquista...

 

Deu pra perceber fácil, que esse é o meu caminho preferencial né? Pois é, adoro essa sensação do palmo a palmo. Penso que os resultados são mais duradouros quando a gente trás a equipe junto, ou o que sobrar dela, mas na boa... Confiança não é um artigo que se compra na farmácia, tem que estar disposto a conquistar, e pra isso é necessário mostrar no mínimo consistência. Coerência também, não adianta falar uma coisa e fazer outra, tem que dar o exemplo. Também não adianta começar um monte de coisas, mudanças de processos, rotinas, reestruturação etc e não terminar nada. Terminalidade é essencial. Não fazer promessas que não vai poder cumprir. Certas pessoas pensam que depois que você alcança determinado posto você pode tudo, e a coisa não é bem assim. Vão chover pedidos, aí teu senso ético precisa berrar na tua consciência e não te permitir ceder à síndrome de deus. E quero deixar claro que confiança é uma coisa que se conquista e se mantém. É o teu conjunto de atitudes que vai te fazer conquistar e manter o necessário nível de confiança, pra realizar as mudanças com menos dor e alto índice de adesão. Um bom caminho é iniciar essa conquista já na coleta de dados pro diagnóstico. Aí quando começar a implantação o pessoal vai vestir a camisa e te ajudar. Tenha isso como certo. Nesse estilo de gestão o líder "conquista" o respeito 100% focado em transformar. Mas cadê o foco no resultado, ele não é importante? Claro que é, e ele acontece como consequência natural das mudanças e melhorias dos processos. Com incentivo à participação e à criatividade e principalmente com a valorização da meritocracia (recomendo fortemente que você leia Empresas feitas pra vencer).

 

Liderar para a mudança, um movimento mais que necessário, imprescindível...

As mudanças sempre tiram todo mundo do "conforto". Quase sempre que escrevo a palavra conforto a coloco entre aspas, porque pra mim tem muitos significados. Chegada a hora das mudanças, de se buscar as metas audaciosas, a coisa precisa fluir. E aí que você recupera o tempo investido na preparação, no planejamento. E por mais que você faça planejamento, em engenharia por exemplo é preciso estar pronto pra sacar o plano B, C ...Z. Construir certo no Brasil é difícil, construir bem é muito desafiador. Por que? Nosso sistema construtivo tradicional por cultura é muito artesanal, e quando a gente coloca muitas mãos pra fazer uma coisa o risco aumenta, e muito. Então é necessário montar um processo de fazer e de controlar (mestre Vicente Falcone: administrar = meta x controle). Monitorar os indicadores de performance. Pra isso funcionar e trazer resultados consistentes (o que todo investidor procura) com todas essas mãos envolvidas, precisa da tal confiança que gera comprometimento. O empenho de fazer o certo e como foi desenhado no processo, desde o contínuo até o presidente da empresa.

 

Tipo comprometimento institucional. Tá pensando que não tem resistência? Que o pessoal não tenta voltar pro que era antes? Colocar na mesma canoa fornecedores e prestadores de serviço pra remar junto? Precisa administrar conflitos de interesses, egos (tem noção?), comparações, gente querendo te dar bola nas costas. Ufa!!! Reunir, agregar, convencer... Colocar todo mundo dentro da mesma canoa e remando pro mesmo lado, no mesmo sentido... na mesma direção. O nome disso é SINERGIA... e é mágico! Como se consegue isso? Quando se alinham valores dos colaboradores com as metas e objetivos da organização. Consegue enxergar isso acontecendo num ambiente de gestão autoritária? 

 

Não existe empresa certa e empregado errado. Existe o empregado certo para determinado tipo de empresa. Por isso se você não se sente feliz onde você está, e não importa o cargo que ocupe, talvez apenas essa não seja a empresa certa para você. Pense sobre isso!

 

Edição João Gonzaga de Oliveira

 

Se você gostou do artigo comente aqui e compartilhe. Se não gostou tudo bem, nos ajude a melhorar e deixe sua opinião. Adoramos melhorar.

 

 

Compartilhar no Facebook
Curta este post
Please reload

Posts Em Destaque

Mais um fim de ano se passou

06/01/2020

1/10
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags