Gestão: um dragão que você precisa domar (Parte 2) Perfil do gestor - as soft skills

13/07/2017

 

No artigo anterior (a parte 1) tratamos do Estilo de Gestão separando-os em dois macro grupos: o autoritário e o participativo. A intenção foi categorizar e fornecer links de publicações para quem quiser se aprofundar nesse universo. Evoluindo no tópico gestão vamos tratar de perfil. Iniciando pela definição, a palavra perfil pode se revestir de alguns significados que aqui usaremos:

 

perfil = índole, gênio, temperamento, caráter, tipo, feição, jeito. 

 

E qual a importância do perfil do gestor no estilo de gestão? Toda. É basicamente o perfil comportamental e o conjunto de competências do gestor que vão definir seu estilo de gestão. 

 

No auge de sua atividade empresarial, John Rockefeller declarou: "a habilidade para lidar com as pessoas é um produto pelo qual se paga como pelo açúcar ou o café". Em seu livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, Dale Carnegie disse que "o trato com as pessoas, sem dúvida alguma é o maior problema que o indivíduo tem a encarar... " Mesmo em carreiras técnicas como a Engenharia, investigações e pesquisas sob a condução da Fundação Carnegie e depois confirmadas pelo Instituto Carnegie, demostraram que apenas 15% do sucesso financeiro de um indivíduo é devido aos conhecimentos específicos profissionais (hard skills) e cerca de 85% à competências na engenharia humana - à personalidade e à habilidade para dirigir as pessoas" (soft skills).

Partindo dessas premissas vamos então tentar entender o que envolve ser bem sucedido ao gerir pessoas. 

 

Se tivesse que eleger a maior dificuldade, o maior desafio para exercer uma boa liderança eu escolheria a comunicação. Por que? Todo ser humano utiliza sua biblioteca pessoal de referências para decodificar uma mensagem. E no momento que ele acessa esse acervo de possibilidades, o resultado dessa decodificação pode sair bem diferente da intenção de quem a emitiu. 

 

Podemos perceber isso facilmente transmitindo uma determinada mensagem (a mesma) a duas pessoas diferentes. Parecido com a velha brincadeira de criança do "telefone sem fio". Depois de liberada a mensagem ela toma vida e rumo próprios. Nós comunicamos com olhar, gestos, vestuário, fala, escrita, atitudes... e tudo isso junto precisa fazer sentido, para não passarmos mensagens contraditórias. 

 

A forma como você utiliza as ferramentas de comunicação pode definir que tipo de gestor você é. Autoritário, diligente, polido, direto, objetivo, autocrático, transparente, motivador... depende da percepção do outro.

 

Competências sócio emocionais! As chamadas soft skills essenciais...

 

São características pessoais inteiramente relacionadas com a inteligência emocional. É o repertório comportamental que você desenvolveu a partir de sua história pessoal. Vejamos abaixo, algumas competências sócio emocionais que são desejáveis pra não dizer imprescindíveis no gestor:

 

Autoconhecimento e autodesenvolvimento - Tudo começa aqui. É a capacidade de perceber sua identidade, seu valor pessoal, de se aceitar como é, e de se amar. Podemos inclusive dizer que é a mais sábia das competências. O autoconhecimento bem resolvido promove a autoconfiança.

 

Autoconfiança - Possuir a convicção de que é capaz de fazer ou realizar. Produto da combinação entre autoeficácia (crença interna que podemos cumprir diferentes tarefas) e a autoestima (crença que somos competentes no que fazemos). 

 

Liderança - É a arte de comandar, influenciar, atrair e acima de tudo INSPIRAR pessoas. Um líder não procura culpados, busca soluções.

 

Comunicação - Você sabia que comunicação não é o que você fala e sim o que as pessoas entendem? Significa partilhar, participar algo ou tornar comum. Desenvolver essa competência tem sido o maior desafio dos líderes. Comprovadamente é na falta ou na falha de comunicação que tem origem os conflitos. Compor e transmitir uma mensagem simples, clara e objetiva sem deixar margem a interpretações... já imaginou como isso é desafiador? Faça o teste. 

 

Capacidade de trabalhar em equipe - Um gestor vai gerir um grupo de trabalho, um setor, departamentos... Para tanto precisa ter a capacidade de delegar, ouvir, dividir, ceder, compartilhar, cooperar... o que nos leva direto ao próximo item...

 

Capacidade de negociação - Quando se lida com pessoas surge imediatamente uma coisa chamada conflitos. Você nem percebe mas boa parte do tempo está negociando conflitos de ideias, opiniões etc... elimine as objeções, levantando interesses e tirando dúvidas. Como? Demonstrando sincera empatia, fazendo perguntas, argumentando... na negociação o único resultado satisfatório e duradouro é a estratégia do ganha-ganha.

 

Criatividade - Capacidade de criar, inovar, reinventar, reescrever... os momentos de crise e adversidades são os melhores para testar sua criatividade. Lembre-se que só erra quem tenta. Trate qualquer erro como uma oportunidade de aprendizado e orientação.

 

Assertividade - Não tem a ver com certo ou errado. Pense em como você defende uma posição, uma ideia... seja transparente nas suas intenções e colocações. Transborde confiança!

 

Flexibilidade - Qualidade de ser flexível, maleável... de estar aberto à novas ideias e apto a responder por mudanças. Flexibilidade + Iniciativa = Inovação para métodos, processos, soluções e produtos. Competência muito valorizada no ambiente corporativo atual.

 

Otimismo - Estar disposto a enxergar o lado bom e esperar sempre uma solução favorável, mesmo em situações mais difíceis. O otimista realista, vai buscar se cercar de dados e fatos para tomar decisões. Leia mais sobre otimismo com João Paulo Pacifico. 
Nem bonzinho nem malvado... construa seu caminho!


São inúmeras as competências sócio emocionais que um gestor deve apresentar e comunicar, para estabelecer empatia e confiança verdadeiras entre seus liderados. Citamos as que consideramos essenciais no perfil de gestor "líder" participativo, que nem de longe precisa fazer papel de "bonzinho". Melhor sim fazer o pessoal perceber que você trabalha para e com eles. Isso vai demandar atitudes cotidianas. Executivos devem liderar pelo exemplo.

 

"A qualidade do seu pessoal é tudo! O seu sucesso e da equipe dependem disso. Como diz um antigo provérbio chinês:

Se quiser 1 ano de prosperidade, cultive cereais. Se quiser 10 anos de prosperidade, cultive árvores. Se quiser 100 anos de prosperidade, cultive pessoas.
Do livro Receita previsível"

 

O perfil de atuação poderá migrar para o de gestor "chefe" autoritário, comumente quando faltar uma ou um conjunto dessas competências a que chamamos de essenciais. Nesse caso o gestor tentará se impor pela autoridade do cargo. Mas atenção, implantar a gestão a partir do medo em vez do respeito, comprovadamente não é sustentável a médio e longo prazos. Torna a tarefa de reter talentos praticamente impossível. Se você possui um projeto de carreira, precisa levar essa realidade em consideração. 

 

O medo não inspira, não motiva, não agrega, não fortalece. Ele míngua a criatividade, a espontaneidade, a lealdade, o comprometimento e por fim a produtividade. O medo devasta e depois desertifica qualquer ambiente. 

 

Você que está lendo, sabe que tipo de gestor é você? E você que ainda não é, está se preparando para sê-lo? Sim isso mesmo, você pode despertar e desenvolver competências adormecidas ao longo da vida. Nada mais ultrapassado do que a crença de que "pau que nasce torto, morre torto". \o/

 

O próximo artigo será sobre a gestão do dragão chamado TEMPO. Vem ferramentas de coaching por aí, não perca ;)))

 

Edição: João Gonzaga de Oliveira

 

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