Educar também é uma forma de amor!


Seria incorreto ou injusto dizer que além de passar o conhecimento o professor precisa querer provocar no aluno o interesse pela aprendizagem?


Sob a ótica mercadológica seria como descobrir um gatilho que fizesse aquele cliente (o aluno) despertar pro desejo de consumo do produto (o conhecimento)...

É muito mais complexo que isso...


Estamos falando do aluno da primeira infância no pré-escolar, ainda com sua psique em construção que vai pra escola "brincar"?

Do aluno do ensino fundamental, importante como o nome porque abrange um longo período de formação cognitiva e psicossocial, tal qual um processo de metamorfose gigante, se considerarmos que a totalidade da transformação ocorre ao cabo de nove anos?

Do aluno adolescente do ensino médio, nem criança nem adulto, que necessita escolher uma profissão em meio ao seu ciclone interior?

Ou do jovem universitário, ainda na dúvida se fez a escolha correta, desconfiado e reticente sobre o futuro?


De qual persona estamos falando?

Bem, o que podemos simplificadamente afirmar, é que independente do perfil dessa persona o "produto" é CONHECIMENTO e o representante "comercial" desse produto é o PROFESSOR.

A escola é uma empresa, com corpo físico e estrutura organizacional para funcionar e entregar o produto conhecimento, prontinho na mão do seu consumidor final, o aluno.


Vendo dessa forma, fica mais "fácil" TENTAR entender essa teia?


O que acontece nas empresas de um modo geral é que um determinado funcionário é contratado pela sua qualificação técnica e quando desligado, normalmente o é pelo conjunto de suas competências sócio emocionais. Aquele conjunto de pontos fortes que devem trabalhar em harmonia e que associados aos talentos pessoais, ajudam no crescimento da empresa.


Que indicadores podemos eleger pra monitorar esse crescimento?

Produtividade, satisfação do cliente, fidelização...


Cliente direto - os alunos, que querem ir pra escola, que participam das aulas e que se saem bem nas provas, que curtem e recomendam a escola e seus professores.

Cliente indireto - os pais desses alunos, que bancam, patrocinam essa formação, de olho em dois indicadores básicos: o bem estar do filho e seu desempenho, que normalmente aparece na forma de notas.


Embora a gente goste de cultivar uma ideia romântica sobre a formação de nossos filhos, olhando de uma forma objetiva e macro, esse processo de formação obedece um fluxo de produção, cujo produto acabado é um indivíduo preparado para "funcionar" na sociedade, de acordo com seu código de conduta e normas operativas.

Para o processo de formação desse indivíduo temos pelo menos 2 ambientes de cultivo fundamentais: a família e a escola.

Os dois meios precisam trabalhar de forma simbiótica nessa formação, cada qual com seu papel e responsabilidades.


E como em qualquer ciclo de vida, o resultado será proporcional ao cuidado dedicado ao plantio. Do sistema de regas e adubação, controle de pragas, manejo e finalmente colheita na época apropriada.

É isso mesmo... tal qual cultivar uma mudinha que se espera transformar em árvore... frutífera!


Voltemos nossa atenção pra escola e como esse meio ambiente interfere no ciclo de formação de um indivíduo.


Onde buscamos referências de escola?

Na nossa própria formação e na formação de nossos filhos, quem os possui. Os educadores possuem ainda sua própria vivência profissional.


Quando acessamos esses arquivos e remexemos essas memórias o que vem na lembrança? O espaço físico da escola? Ou as pessoas?

Pra todos que perguntei sobre isso rapidamente passaram uma breve descrição de como era esse espaço, mas as lembranças vívidas são histórias com amigos e professores memoráveis.


Ah professores memoráveis são dois tipos. Os lembrados com amor, e os "odiados"... os demais simplesmente passaram pelas nossas vidas...


Pergunta que não quer calar: existe espaço hoje em dia para os odiados? Para o profissional de ensino que não reflete um valor fundamental como amor ao próximo...?

Então vamos segmentar ainda mais nossa análise e focar no educador que inspira compaixão...

Para isso separamos os três talentos mais incidentes em profissionais de sucesso no ambiente educacional: empatia, comunicação e inclusão.


Talento da Empatia - capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreender a sua visão da realidade, postura e opiniões, livre de preconceitos.

Como utilizar a empatia pra conquistar respeito e audiência?

Podemos iniciar com um sorriso sincero e bom humor. Estou falando sobre sorriso verdadeiro que traz calor no coração.

James V. McConnel (1925-1990), professor de psicologia na Universidade de Michigan, escreveu sobre o poder contido no sorriso: "As pessoas que sorriem tendem a ensinar e vender com muita eficiência, além de criar filhos mais felizes. Existe mais informação num sorriso do que numa expressão carrancuda". Do livro "Como fazer amigos e influenciar pessoas".

E eu diria que o sorriso é uma arma que desarma as pessoas!


Você não sente prazer em sorrir? Que fazer então?

A ação parece acompanhar a sensação, mas na realidade ação e sensação andam juntas. Todos buscam felicidade no mundo e o caminho certo para encontrá-la passa pelo controle dos nossos pensamentos.


Assim a felicidade não depende de condições externas e sim das internas. Seu sorriso é o mensageiro de suas boas intenções, ilumina você e a quem te vê.


John Dewey (1859-1952), célebre filósofo, pedagogo, considerado expoente máximo da escola progressista norte-americana, foi um pensador que pôs a prática em foco, e afirmou a partir de seus estudos que a mais profunda das solicitações na natureza humana é o desejo de ser importante.


Sigmund Freud (1856-1939) disse que tudo em nós emana de duas motivações: a necessidade sexual e o desejo de ser grande.


Dito isso, ninguém quer ser um número... não importa a orientação da escola, um professor deve tentar e tentar e conseguir aprender o nome de seus alunos.

Não importa o tempo que demorar, mas os alunos precisam perceber que genuinamente existe a intenção de chamar todos pelo seu próprio nome. Dar o sentido a eles de unicidade.


Ainda dentro e a partir da empatia ao fazer contato visual e mais pessoal com seus alunos, o professor constrói a ponte que une e a relação de confiança que desemboca no respeito mútuo.


No artigo intitulado "Jacques Lacan, o analista da linguagem" publicado no site Nova Escola, a eminente psicóloga, socióloga e psicanalista, professora da Faculdade de Educação da USP, Leny Magalhães Mrech, cita que Lacan (1901-1981) já havia identificado que não estamos mais em uma sociedade orientada pela figura do pai (numa referência ao complexo de Édipo).


Quer dizer entre outras coisas que, as relações sociais antes hierarquizadas com rigidez, agora se distribuem de um modo mais horizontal e que "o pai, o professor e as demais figuras de autoridade perderam o lugar simbólico de poder e excelência".

Faz total sentido, estamos percebendo isso dentro das empresas, como seria diferente nas salas de aula?


O comportamento das pessoas mudou, a geração pós-digital é a prova mais contundente disso e não precisa ir longe, é só olhar para o lado!


Segundo a professora Mrech, "Essa é uma das bases do modelo de escola participativa, na qual o aluno assume um papel mais central", e observa que antes da psicanálise, a pedagogia não percebia a importância e o significado da fala do professor e do aluno, e pouco se preocupava em "escutar".


Voltando à ótica empresarial... como um negócio (a escola) pode dar certo se não se escuta o cliente (o aluno)?

Ele cliente não é a razão de existir do negócio?


Esse fato ajuda a entender os fenômenos que acontecem na vida escolar, como a resistência de alguns estudantes em aprender e de alguns professores de ensinar certos conteúdos.

A empatia permite que o professor vá além de enxergar os indivíduos sentados à sua frente como receptáculos do seu saber, mas que sinta e compreenda seus sentimentos ambíguos, seus medos e insegurança por de trás da irreverência e da agressividade.


Talento da Comunicação - significa partilhar, participar algo, tornar comum, associar.

A maior ferramenta de trabalho do professor a fala, a linguagem foi o centro das preocupações e do trabalho clínico e teórico de Lacan, e foi nesse aspecto sua maior contribuição para a educação.


O psicanalista e professor do Instituto de Psicologia da USP, Christian Dunker, diz que numa época em que a psicanálise buscava fundamentações na biologia, Lacan escolheu a linguística e a lógica para reconfigurar a teoria do inconsciente e retomou à obra de Freud ao lidar com conceitos como inconsciente, identificação e Eu (ego).


Mas a comunicação vai além da palavra, podemos associar gestos, olhares... sem esquecer que comunicação é uma via de mão dupla. Aqui entra de novo a empatia pra auxiliar, principalmente o emissor, na adequação da linguagem ao público alvo (receptor), para calibrar sua eficiência (qualidade com economia de recursos) e obter eficácia (alcançar os objetivos).


Cabe ao educador usar de sua sensibilidade e escolher quais instrumentos vai utilizar pra comunicar sua mensagem com êxito, isto é, transmitir seu conhecimento. Se percebe resistência da turma, precisa consultar seu repertório de possibilidades.

Uma dica que costuma surtir efeito quando precisamos atrair atenção para um tema espinhoso é lançar mão de dinâmicas que incluam algum tipo de competição amistosa. Nós seres humanos adoramos competir!!!


Talento da Inclusão - ato de incluir, acrescentar, ou seja, adicionar coisas ou pessoas em grupos e núcleos que antes não faziam parte.

Aqui recomendo pra quem é entusiasta no assunto as publicações da professora Mrech. Não dá pra pensar em inclusão sem citar ela. Autora, co-autora ou organizadora dos seguintes livros:

  • Psicanálise e Educação: Novos Operadores de Leitura

  • O Impacto da Psicanálise na Educação

  • Psicanálise, transmissão e formação de professores

  • Psicanálise, Educação e Diversidade

Fica meu destaque para Psicanálise e Educação: Novos Operadores de Leitura que foi dividido em seis capítulos:

Capítulo I - A sociedade Contemporânea e a Mudança do Papel dos Professores à Luz da Educação Inclusiva e da Psicanálise;

Capitulo II - O Fracasso Escolar - Um novo Sintoma na Cultura?;

Capítulo III - Transferência e Saber;

Capítulo IV - Saber e Gozo.

"A autora critica a interpretação linear que comumente se faz da realidade escolar brasileira e propõe novos operadores de leitura desse universo, a partir da aplicação de conceitos da teoria psicanalítica lacaniana, no âmbito da educação."



Dentro desse tema destacamos a pesquisa "Conselho de Classe" feita pela Fundação Lemann. Dando voz aos professores!

Tenho certeza que um dos objetivos foi o de incluir os professores a partir da escuta de suas dores e necessidades.

Os relatórios 2014 e 2015 estão acessíveis para consulta na rede. O de 2014, ouviu professores do ensino fundamental, o de 2015 incluiu também os professores do ensino médio. O relatório com infográfico atraente e amistoso mostra:

  • Metodologia;

  • Perfil do professor entrevistado separado por sexo, idade e área de formação;

  • A opinião dos professores sobre 4 temas: acompanhamento psicológico, defasagem, fortalecimento da profissão, formação continuada.


Os 3 mais entre os 18 fatores que precisam ser enfrentados com maior urgência:

  • Acompanhamento psicológico

  • Indisciplina dos alunos

  • Defasagem de aprendizado


A rede de apoio do professor na hora de enfrentar esses desafios é a equipe escolar, na média:

  • 73% diretor

  • 68% coordenador pedagógico

  • 48% outros professores da escola

Interessante consultar as diferentes percepções quando separados por região. Vale dar uma olhada.


Eles se percebem com seu tempo muito comprometido com a aprendizagem e demandas dentro da sala de aula e gostariam de poder contar com a ajuda de outros profissionais como psicólogo, assistente social, psicopedagogo, mediador de conflito e fonoaudiólogo.


Mais ainda, 96% pensam que o apoio psicológico deveria ser disponibilizado para alunos e professores. E 90% que o apoio psicológico poderia ser extensivo também às famílias.

Esses percentuais são MUITO significativos e sugerem algo a ser feito sobre esse apoio à curto prazo. Apenas 22% desses professores contam com a ajuda de psicopedagogos ou psicólogos.


A defasagem de aprendizado é apontada como o grande desafio para o cumprimento dos currículos em sala porque na classe tem alunos avançados e alunos abaixo do básico, o que coloca os professores em apuros na hora de preparar a aula.

Segundo eles essa defasagem precisa ser considerada ao se implementar um currículo.


Duas maneiras clássicas de lidar com o problema da defasagem:

  • Separar os alunos "atrasados" e montar um programa de recuperação e reforço. Porém esse sistema é muito criticado porque estigmatiza os alunos e os pais não ajudam nem dão apoio nessa hora.

  • O outro é montar monitoria. Dá mais trabalho, mas o efeito benéfico da inclusão é mais facilmente percebido. Sem contar que ajuda a desenvolver valores importantes de amor ao próximo e solidariedade.

24% dos entrevistados acreditam que investir na carreira é ação prioritária e que é necessário aumentar o piso salarial e melhorar os planos de carreira para os profissionais da educação.

17% gostariam que houvesse investimentos em programas de formação continuada. De cada 10 professores ouvidos, 7 participaram de formações no último ano.

Apesar de considerarem importante a formação continuada, boa parcela deles considera que os cursos existentes ainda não resolvem suas demandas e as da escola.


O que pensam os professores segundo o relatório da fundação:

  • Que precisam de apoio psicológico

  • Que é necessário tratar a defasagem de aprendizado

  • Que esperam mais investimentos na profissão

  • Que o professor nunca deve parar de aprender


Tão importante quanto citar suas dores é também citar suas principais fontes de prazer e satisfação.

72% dos professores afirmaram que a contribuição para o aprendizado dos alunos é o que mais traz satisfação.

65% estão cientes e satisfeitos com a responsabilidade social do seu trabalho.


Quem quiser obter mais detalhes dos relatórios é só acessar o site da Fundação Lemann. O link está lá no final em PSS.

Compromisso do grupo Lemann: Qualidade, escala e convergência: nosso compromisso pra mudar o Brasil.

Visão: Um Brasil justo e avançado onde todos tem a oportunidade de ampliar seu potencial para fazer escolhas e criar impacto positivo pro mundo. ADOREI ISSO!


Não podemos perder de vista a realidade brasileira, sim a nossa realidade, aquela em que muitos alunos vão pra escola principalmente pela merenda.


Vários são os modelos educacionais considerados "eficientes" pelo mundo, a Finlândia tem sido festejada como referência, mas na frente e antes do modelo educacional precisamos considerar nossa imensa desigualdade social, sempre nos atrasando o passo.


Há muito o que fazer e não é pra desanimar.


Contamos com iniciativas em andamento, sérias e de porte pra mudar isso, como o movimento Todos pela Educação, a Fundação Lemann já citada aqui, entre outros. É unir esforços, lutar e trabalhar para alcançar êxito. Não cabe ficar de mero espectador só tecendo críticas ao sistema. É preciso participar.


E cá estou eu de novo falando desse tema apaixonante...


Fato é que quem namora professor se casa com a educação. Assim aconteceu comigo. A mesa de casa sempre cheia de trabalhos e provas pra corrigir.

A gente se vê no meio dessa dedicação e vira fã. Minha missão agora é ajudar os profissionais de educação a identificarem seus talentos e colocar todos eles a serviço do seu sucesso.


Defina esse sucesso por favor!!!

  1. O profissional, técnica e emocionalmente capacitado, utiliza a combinação de seus talentos pra maximizar seu resultado, ou seja a produtividade em sala. Quem utiliza seus talentos é mais feliz. Como fazer isso? Urge promover o autoconhecimento.

  2. Ensinar técnicas de liderança e gestão empresarial pra aplicar na sala de aula.

  3. Como tratar as principais dores do professor: Dicas valiosas para enfrentar a indisciplina, a defasagem de aprendizado e a falta de interesse pelo conteúdo.

Esses três itens fazem parte da estrutura do DeDiCo Educador e é a contribuição do Instituto Integrato para a Educação.


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