O saber liberta

31/01/2018

 

Estava eu procurando notícias relevantes sobre educação e acabei me deparando com Malala. Aquela paquistanesa que contando com o inestimável apoio do pai, se rebelou contra o talibã na luta pelo direito das meninas à educação, e que ganhou o Nobel da Paz de 2014 depois de sofrer pelo menos 2 atentados.

 

Criatura valente e determinada que nos inspira e merece nossa admiração e apoio. Quem quiser conhecer mais um pouco dessa história, saiu no Netflix o documentário "Malala".

 

E claro o muito festejado exemplo de sucesso da Finlândia, presente em todos os artigos e relatos, como referência mundial de sistema educacional. Se nunca ouviu falar clique no link.  https://youtu.be/9EOq6iBz7FU

 

Mas o que esses dois casos têm em comum? Bem, é fato eles são absolutamente diferentes, duas realidades antagônicas e mostram o quê a educação pode fazer por uma pessoa, por uma comunidade e mesmo por um país.

 

Quem manda destruir escolas sabe que o poder absoluto do ser humano reside no saber. Sua independência e autonomia, sua liberdade em outras palavras, está no saber. "O saber liberta!" Quem nunca ouviu essa frase? E o oposto escraviza.

 

"A história nos mostra e prova que proibir, dificultar, inviabilizar o acesso à educação, é a forma mais eficiente, cruel e frequente de domínio e manutenção do poder, utilizada através dos tempos."

 

Queremos um estado menor, menos paternalista, menos intervencionista?

 

Queremos uma sociedade mais justa, livre das profundas desigualdades sociais que vemos hoje?

 

Queremos mais segurança? Andar pelas ruas sentindo-se livres a qualquer hora? Banir do nosso vocabulário corrente as palavras assalto, arrastão, zona de conflito?

 

A solução para todas essas mazelas da nossa sociedade passa pelo real acesso à educação de qualidade. E todos nós sabemos disso.

 

Não a educação do faz de conta, onde os professores são obrigados a aprovar alunos sem a menor condição de ir à frente para evitar a evasão escolar, ou pro Estado fazer bonito no próximo senso.

 

O dia do ENEM acaba chegando e com ele o show de horrores. Uma imensa quantidade de jovens com total desconhecimento da gramática da língua portuguesa, que concluíram o Nível Médio e não conseguem fazer uma redação, ou em outras palavras, expressar uma ideia ou opinião em texto.

 

Nós percebemos depois esse abismo que se forma dentro das empresas, no ambiente corporativo. E se eu precisasse eleger um, somente o maior problema organizacional eu escolheria sem pestanejar a COMUNICAÇÃO. Porque é assim que se fecha o círculo vicioso. Vou explicar.

 

Muitas pessoas "não sabem ler, não sabem escrever", portanto não conseguem se comunicar de maneira eficaz e eficiente. Essa é a principal origem dos conflitos e dos desentendimentos.

 

Claro, na sequência vem todo um complexo arcabouço de falhas ou faltas de virtudes das relações humanas. Todas administráveis ou não via comunicação.

A palavra ou melhor, a linguagem foi a maior e nossa mais bem sucedida invenção. E é vital e indispensável para o funcionamento da sociedade, na forma como a conhecemos hoje.

 

É interessante como a tecnologia ajuda mas também atrapalha. Me desculpem o exagero, mas vou dar como exemplo o uso de mídias sociais, como WhatsApp. As pessoas precisam escrever mais e mais rápido e aí abreviam tudo, usam símbolos etc e estão esquecendo como se escreve. Sério, tentem ler o diálogo de dois adolescentes no App. É um novo dialeto. Que não teria nenhum problema... se houvesse o domínio anterior da língua mãe.

 

Mas não é assim que acontece.

 

Então chega o dia que esse jovem vai para o mercado de trabalho, onde ele precisa se comunicar com colegas, clientes, lideranças etc.

Percebem o tamanho do problema? Isso porque estamos partindo da premissa de que o domínio da técnica do ofício dele esteja ok.

  • Então você está me dizendo que precisamos apenas reforçar o ensino da língua portuguesa? Não, eu estou afirmando que sem o domínio da boa comunicação, todo o resto se mostra inútil. É como se ela fosse o elemento que dá a "liga".

Todo mundo já deve ter ouvido outra máxima: que as empresas contratam de olho nas competências técnicas e dispensam pelas sócio emocionais. Juntamente com a FALHA NA COMUNICAÇÃO, sempre. As entrevistas de "desligamentos", me perdoem porque não achei termo substituto, demonstram isso.

 

Tenho acompanhado o trabalho de profissionais na árdua tarefa de "resolver" a comunicação das empresas. Essa é uma área crucial e estratégica, e de um modo geral a alta gestão não dedica tempo de qualidade à essa tarefa. Resultado: é mais fácil colocar a culpa no outro e dispensar.

 

Perde-se o tempo investido no treinamento e maturação do profissional à cultura da empresa, a curva de aprendizado do setor não cresce, a produtividade despenca e o profissional lá na ponta desmotivado. Tudo isso tem origem na comunicação.

 

Então compartilho 2 dicas de ouro:

 

Dica 1: nossa responsabilidade sobre a comunicação só termina quando não restar dúvidas sobre o perfeito entendimento da mensagem. Melhor pecar pelo excesso do que pela falta. Pergunte, peça pra explicar de volta. Certifique-se que todos entenderam exatamente o que deve ser feito, afinal o resultado depende disso.

 

Dica 2: a forma e o conteúdo da mensagem precisam estar adequados, ajustados à capacidade de entendimento do receptor. Parece pouco, mas acredite, isso é mega importante. Arrisco dizer que não adianta usar a forma culta (aquela mais conhecida por juridiquês) da língua num comunicado operacional, por exemplo.

 

Aproveitando o gancho vou formular a minha mensagem de hoje, na esperança que ela seja eficaz e eficiente rsrs.

 

Lanço aqui um apelo a quem eu puder alcançar. Principalmente para aqueles que possuem filhos (ou netos) em idade escolar, e portanto estão vivendo o drama dos problemas de escola, e o medo que vem da insegurança das nossas ruas.

 

Vem aí as eleições 2018. Eu sei que é difícil, mas comece a procurar um candidato de valor, formal e publicamente comprometido com a educação. O país tem jeito sim, mas depende de nós, das nossas escolhas, principalmente do que fazemos com nosso voto.

 

A pior coisa que nós podemos fazer agora é pensar, e acreditar, que ninguém presta. Rotular as pessoas, ah se está na política não presta... vamos garimpar pessoas boas, competentes e honestas pra mudar o cenário que temos hoje.

 

As pessoas de valor tem medo de participar da política exatamente por causa disso. Elas tem receio de serem vistas dessa forma. Daí que o cenário é esse desolador que estamos vendo. Sobram as lobas e lobos maus...

 

Você que está lendo esse texto, pensa que eu gosto de política? Não, nunca gostei, mas me esforço pra me manter informada, para não ser manipulada. E sou capaz inclusive de dizer o porquê que eu não gosto. Sabe essa coisa dos conchavos, do toma lá dá cá, do falar uma coisa e fazer outra? Essa eterna troca de interesses pessoais em detrimento dos interesses coletivos???

 

Desprezo totalmente essa prática inerente ao cenário político de hoje. Mas nós também somos responsáveis. Eu votava e largava pra lá, não acompanhava o que a galera fazia depois. Mas agora não. Acompanhei direitinho o que os políticos que eu ajudei a eleger fizeram e como votaram. Sei direitinho quem vai receber meu voto de novo e quem tá fora.

 

Sei que você deve estar pensando, onde arrumar tempo pra isso?

 

E aí eu digo o seguinte: Quem vai votar a reforma da previdência? Quem precisa acabar com o foro privilegiado? Quem vai votar a reforma tributária? Etc etc etc. Tudo isso interfere na sua, na nossa vida objetivamente. Então precisamos arrumar tempo e precisamos minimamente acompanhar mais de perto pra cobrar, o Portal da Transparência está aí. Só reclamar não resolve, é preciso agir!

 

A maioria de nós não se sente representado. E o que fazemos de prático acerca desse fato? Pense nisso, e em 2018: vote educação.

 

 

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